segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dicotomia Mulher


Que doce mais amargo é a mulher
Que loucura mais sadia pode haver nos seus braços?
Que alegria é essa em sofrer?
Nos afetos e desafetos dos seus laços

Certa e errada
É assim que sempre fora
Quando briga ou está apaixonada
A mulher, de fato, nunca teve escolha

Deixe que os ventos falem
Não é feliz quem não ousa voar
A história que mais ouvem,
É mulher que ama desistindo de amar

Não jogue fora o vigor da juventude
Aqueles que proíbem foram os que mais se lambuzaram
Pare de tentar de tentar descobrir o pudor em cada atitude
Já vistes que eles jamais lamentaram

Não vive quem não ousa sonhar,
Não se alegra que não chore,
Não se cansa que não dança,
Não entende quem não ousa saber,
Não ama quem não se deixa entregar. 



                                                                  Yasmim Barbosa
                                                                    (23/07/2012)

Um beijo (Olavo Bilac)

Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior...Glória e tormento, 
contigo à luz subi do firmamento, 
contigo fui pela infernal descida! 

Morreste, e o meu desejo não te olvida: 
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, 
e do teu gosto amargo me alimento, 
e rolo-te na boca malferida. 

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, 
batismo e extrema-unção, naquele instante 
por que, feliz, eu não morri contigo? 

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, 
beijo divino! e anseio delirante, 
na perpétua saudade de um minuto...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ser ou não ser (Shakespeare)

 – eis a questão. 
"Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias –
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir; 

Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação."





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