domingo, 9 de dezembro de 2012

Desabafo


Já não tenho mais idade
De brincar com falácias
Escutar meias verdades
Se for brincar que seja fora do meu coração

Aquele tempo de intrigas já passou
Não me acostumei a dividir nada com ninguém
O que aconteceu o tempo perdoou
Cansei das noites em claro debaixo do meu cobertor

Quero o mundo solto, quero o mundo leve
Gostaria que fosse ao seu lado
Meu bem, mas tudo está tão louco
Não que duvide do seu sentimento, não disse isso em nenhum momento

Nunca foi tão difícil pra mim
Relevar certas coisas
Querido, nem sempre é possível dizer que sim
Faça-me sentir que posso me deixar levar
Quem muito se machucou sempre terá medo de amar 


                                                                Yasmim Barbosa 
                                                

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sol

Venha quente
Venha logo
Sem demora, me aquecer
Saudade urgente
Não demora
Não precisamos entender

Abrace-me feito o sol
Cobrindo as costas nuas com o ardor
Cansei do mundo frígido
Fugi com tanta pressa
Daquilo que chamam de amor

Me aqueça com seus raios
Seque as gotas de orvalho
Que feito lágrimas não param de rolar
Me embriague em seu brilho
Deixe cair a venda sobre o meu olhar

E quando o sol se pôr
Recolho-me a esperar
Não há tristeza na despedida,
Pois o sol logo vai voltar.




                                                   
                                                                      Yasmim Barbosa
                                                       

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre aniversários


Estreando a parte “Mate” do blog, na qual vou procurar discorrer sobre problemas fúteis e corriqueiros de nossas vidas, ou da maioria. (RS). Gostaria de começar com a seguinte pergunta: O que é aniversário hoje em dia?
Me chame de ácida quem quiser, mas sinceramente, muita gente mais inteligente que eu já gastou o seu tempo escrevendo sobre as relações que o aniversário nos obriga a cumprir e todo o ritual que ele envolve, então não vai ser eu, uma jovem do século XXI, que não vai gastar 10 minutos da vida para botar pra fora o que eu realmente penso desse rito. (Ainda mais com a internet hoje em dia que todos falam o que querem; mas vale também a lógica do “ler quem quer”, não é?)
Em resumo, o fato é: vamos parar com a hipocrisia que essas mega redes sociais propiciam em nossas vidas de pensar que todos aqueles nossos “quatrocentoselávaiporrada” amigos realmente nos deseja uma vida de alegria, paz, saúde, prosperidade. Que atire uma pedra quem nunca fez ou recebeu uma mensagem assim no nosso querido Facebook. “Ah, Yasmim, então só porque os parabéns não são todos sinceros eu não devo fazê-los ou considerá-los?”, Não, não falei nada disso, considera quem quiser e acho que até faz parte da educação, mas vamos tentar diminuir essa mentira na cara dura e pelo menos pensar um pouco na pessoa ao escrever em seu mural mensagens de felicidades. Isso sem falar naqueles familiares que te ligam uma vez ao ano só porque querem comer o bolo da sua mãe.
Outra coisa que me irrita nos aniversário (e olha que é, para muitos, a melhor parte): os presentes. Nada contra, adoro receber e me divirto muito comprando um presente com carinho para meus amigos e familiares. Vejam, o problema não está no presente em si, mas no que ele representa. A relação de obrigação que ele cria. Já escutei amigas minhas dizendo: “Nossa, meu namorado gastou duzentos reais no meu presente. O que posso comprar nesse valor para o aniversário dele?”, meu Deus! A graça não está no valor material! Vamos tirar um pouco dessa cultura economicista da cabeça e tentar sentir as coisas pelo nosso lado subjetivo! E vamos combinar, os melhores presentes são aqueles inesperados! Essa coisa de pedir o que quer ganhar é tão sem graça, com exceção dos presentes que os pais dão, pois esses não podemos comprar (RS). Contudo, são os pequenos gestos de carinho que vão fazendo a pessoa feliz, não adianta visitar o seu amigo só porque é o aniversário dele. Visite quando quiser (desde que avise!), uma ligação, uma lembrança por vez vale muito mais do que tentar de redimir por todas as faltas que você faz nos outros 364 dias do ano... 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Saudades


Muitos já falaram da saudade
Da mocidade, da menina
Saudades ainda,
Dos amigos, da cidade

Mas quem pode lembrar,
Da ausência da palavra
Só ao poeta faz pesar,
Arranca-lhe os pulmões

Lastimável perda
As letras quando fogem,
Cala-te a mão
Os dedos desarmados se recolhem

Se o tivesse aqui
Os verbos não iriam faltar-me
Inflame meu peito sem sua companhia
Deixe-me, me mate de vontade

Se perpetue em minhas palavras
Já não há tempo que nos seja fugaz,
Anseio, anseio em lágrimas
Saudades dos versos que já não tenho mais. 


                                                              Yasmim Barbosa 

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Mario Quintana - Espelho Mágico

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que triste os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!

domingo, 26 de agosto de 2012

(sem título)


Conheci aquela estrela
A qual vivia a observar
Entorpecia-me o brilho
No céu o sol descia devagar

A kilômetros a queimar
Lascivas com seus raios
Olhe é ela, a bela rosa
Na noite quente de luar

Olhe a estrela a brilhar
Envolve-me em seu lume
Mas também ilumina tantos outros
Basta somente um olhar

Doce veneno em minha boca
Essa noite não pode acabar
De manhã as estrelas se vão
O raiar da aurora vem despertar

Não vá estrela
Volte aqui para me encantar
Passe em todas as casas
Mas fique mais até se derramar
Volte bela, bela flor
No céu só para mim
Embriague-me nesse ardor
Volte estrela bela
Bela flor. 


                                                                            Yasmim Barbosa
                                                                                (25/07/2012)

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dicotomia Mulher


Que doce mais amargo é a mulher
Que loucura mais sadia pode haver nos seus braços?
Que alegria é essa em sofrer?
Nos afetos e desafetos dos seus laços

Certa e errada
É assim que sempre fora
Quando briga ou está apaixonada
A mulher, de fato, nunca teve escolha

Deixe que os ventos falem
Não é feliz quem não ousa voar
A história que mais ouvem,
É mulher que ama desistindo de amar

Não jogue fora o vigor da juventude
Aqueles que proíbem foram os que mais se lambuzaram
Pare de tentar de tentar descobrir o pudor em cada atitude
Já vistes que eles jamais lamentaram

Não vive quem não ousa sonhar,
Não se alegra que não chore,
Não se cansa que não dança,
Não entende quem não ousa saber,
Não ama quem não se deixa entregar. 



                                                                  Yasmim Barbosa
                                                                    (23/07/2012)

Um beijo (Olavo Bilac)

Foste o beijo melhor da minha vida, 
ou talvez o pior...Glória e tormento, 
contigo à luz subi do firmamento, 
contigo fui pela infernal descida! 

Morreste, e o meu desejo não te olvida: 
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento, 
e do teu gosto amargo me alimento, 
e rolo-te na boca malferida. 

Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo, 
batismo e extrema-unção, naquele instante 
por que, feliz, eu não morri contigo? 

Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto, 
beijo divino! e anseio delirante, 
na perpétua saudade de um minuto...

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ser ou não ser (Shakespeare)

 – eis a questão. 
"Será mais nobre sofrer na alma
Pedradas e flechadas do destino feroz
Ou pegar em armas contra o mar de angústias –
E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir; 

Só isso. E com o sono – dizem – extinguir
Dores do coração e as mil mazelas naturais
A que a carne é sujeita; eis uma consumação
Ardentemente desejável. Morrer – dormir –
Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo!
Os sonhos que hão de vir no sono da morte
Quando tivermos escapado ao tumulto vital
Nos obrigam a hesitar: e é essa reflexão
Que dá à desventura uma vida tão longa.
Pois quem suportaria o açoite e os insultos do mundo,
A afronta do opressor, o desdém do orgulhoso,
As pontadas do amor humilhado, as delongas da lei,
A prepotência do mando, e o achincalhe
Que o mérito paciente recebe dos inúteis,
Podendo, ele próprio, encontrar seu repouso
Com um simples punhal? Quem agüentaria fardos,
Gemendo e suando numa vida servil,
Senão porque o terror de alguma coisa após a morte –
O país não descoberto, de cujos confins
Jamais voltou nenhum viajante – nos confunde a vontade,
Nos faz preferir e suportar os males que já temos,
A fugirmos pra outros que desconhecemos?
E assim a reflexão faz todos nós covardes.
E assim o matiz natural da decisão
Se transforma no doentio pálido do pensamento.
E empreitadas de vigor e coragem,
Refletidas demais, saem de seu caminho,
Perdem o nome de ação."





# mestre

terça-feira, 26 de junho de 2012

Daquele Amor


Que amor era aquele
Que as meninas suspiravam?
Que o Barroco proibia?
Que os românticos cantavam?
Que nos enchia de alegria?

Que amor era aquele
Que coloria o céu azul anil?
Que esquentava o gelo?
Que esfriava a chaleira?
Que “setembreava” o Abril?
Com sua voz na cabeceira

Que amor era aquele
Que afagava os solitários?
Que coloria as noite com estrelas?
Que aproximava os apaixonados?
Aquele do qual todos falavam
Aquele do qual todos se queixavam

Mas o poeta é aquele,
É aquele que só precisa de uma caneta
É aquele que faz malabarismo com o amor
Faz dele uma vinheta
É aquele que faz malabarismo com a dor
É aquele que colore,
Descolore
Ao seu bel prazer
É ele o inventor,
Daquele tal amor