sábado, 26 de novembro de 2011

Fernando Pessoa

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo... 

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ao pó

De súbito, arfava
Com o ar seco
Apertava a garganta que secava
Golpeava o peito
Demais, a voz falhava

Com a sensação amarga
Do que acabara de dizer
O peito vazio ainda oscilava
Com o vácuo que insiste em permanecer

Do pão ao pó
Do azulado ao preto
Do laço ao nó
Do jardim à vala
Do para sempre ao só

No horizonte,
Já descera o sol
Os sonhos permanecem,
De fronte
E ao norte e ao sul
Estradas distintas.
O preto e o azul
Já se distanciam
Já se resumem,
Ao pó.



Yasmim Barbosa
(17/04/2009)